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12 novembro 2010

Liberte-se


A criatura terrestre pode realmente:

Aproveitar-se de leis que não subscreve;

Manobrar vantagens que não conquista;

Cruzar caminhos que não talha;

Habitar a casa que não levanta;


Comer o pão que não produz;

Trajar o fio que não tece;

Ampliar processos de reconforto que não inventa;

Colaborar na execução de programas que não planeja;

Utilizar veículos que não fabrica;

Medicar-se com elementos que desconhece...
Todas essas operações conseguem a pessoa humana efetuar, ignorando, muitas vezes, onde o bem, onde o mal, onde a sombra, onde a luz.

Devemos convencer-nos, no entanto, de que, para libertar-se, efetivamente, diante da vida, a criatura terrestre há de raciocinar com a própria cabeça.
Ninguém pode viver a toda hora, com discernimento emprestado.

É por isso que somos chamados, na Doutrina Espírita, a estudar instruindo-nos, e, pela mesma razão, advertiu-nos Jesus de que apenas o conhecimento da verdade nos fará livres.

Se aspirarmos, assim, à conquista da emancipação espiritual para a imortalização, é forçoso que cada um de nós desenvolva, com esforço próprio, as sementes da verdade que traz consigo.


(Do livro "Caminho Espírita", pelo Espírito Albino Teixeira, Francisco C. Xavier, Espíritos Diversos)

17 setembro 2010

Espiritualidade na prática clínica: o que o clínico deve saber?

 Espiritualidade na prática clínica: o que o clínico deve saber?*
Spirituality in clinical practice: what should the general practitioner know?
Giancarlo Lucchetti1, Alessandra Lamas Granero2, Rodrigo Modena Bassi3, Rafael Latorraca4, Salete Aparecida da Ponte Nacif5
*Recebido da Associação Médico-Espírita de São Paulo, SP.

INTRODUÇÃO
No dia 17 de outubro de 2009, véspera do dia do médi­co (escolhido por ser o dia de São Lucas, conhecido como ”médico de homens e de almas”), ocorreu no X Congresso Brasileiro de Clínica Médica a mesa redonda: “Espirituali­dade na Prática Clínica”.
A iniciativa inédita da Sociedade Brasileira de Clínica Mé­dica foi agraciada com a lotação do auditório no evento e alertou para a necessidade da abordagem deste tema nos congressos médicos e na prática clínica.
O objetivo deste estudo foi traçar um panorama do uso da espiritualidade na prática clínica e quais os conheci­mentos básicos necessários para o clínico abordá-la na sua prática diária.

Por que o clínico deve abordar a espiritualidade do pa­ciente?
Uma das perguntas mais realizadas pelos médicos em geral é qual a razão para abordar a espiritualidade do paciente. Inicialmente vale lembrar que muitos pacientes são reli­giosos e suas crenças os ajudam a lidar com muitos aspec­tos da vida. Além disso, as crenças pessoais dos médicos influenciam nas suas decisões, tanto por parte do paciente (tendo como exemplo o paciente que é Testemunha de Jeová que não aceita o uso de hemoderivados), como por parte dos próprios médicos (tendo como exemplo, médi­cos que se recusam a prescrever anticoncepcionais devido aos seus princípios religiosos). Mais do que isso, ativida­des e crenças religiosas estão relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida, assim como os médicos que falam sobre as necessidades espirituais não são novidades, tendo suas raízes na história e muitos pacientes gostariam que seus médicos comentassem sobre suas necessidades espiri­tuais. Estudos demonstram que a maioria dos pacientes gostaria que seus médicos abordassem sobre sua religião e espiritualidade, e relataram que sentiriam mais empa­tia e confiança no médico que questionasse esses temas, proporcionando o resgate da relação médico-paciente, com uma visão holística e mais humanizada.

PESQUISAS E BASES CIENTÍFICAS
As pesquisas científicas sobre o assunto são numerosas. No banco de dados da PubMed, foram relacionados 4.202 estudos à palavra “spirituality” e para a palavra “religion” 41.314. Esse número de estudos foi equivalente ao nú­mero relacionado à palavra “physical activity” na mesma data.
Os estudos têm demonstrado maior relação entre espiritualidade e religiosidade com a saúde mental, incluindo me­nor prevalência de depressão, menor tempo de remissão da depressão após o tratamento, menor prevalência de ansiedades e menor taxa de suicídio. Da mesma forma, estudos demonstram uma relação da espiritualidade com melhor qualidade de vida e maior bem estar geral.
Alguns desfechos clínicos também têm sido avaliados de forma consistente. Os pacientes mais religiosos tiveram menores níveis de hipertensão diastólica, índices meno­res de mortalidade por causas cardiovasculares e menor mortalidade em geral.

Autores têm relacionado ainda a espiritualidade com mar­cadores de imunidade, como interleucinas e marcadores de inflamação como proteína C-reativa. Recentemente,
Lutgendorf e Col. mostraram que a frequência religiosa levaria à diminuição na IL-6 e esta levaria à diminuição da mortalidade. Este estudo seria a primeira pesquisa a demonstrar uma participação de um fator imunológico mediando um fator comportamental com a mortalidade. Seguiram-se então, estudos voltados às populações especí­ficas como no caso de mulheres com câncer de mama, em que a maior espiritualidade esteve diretamente relaciona­da ao número total de linfócitos, de células Natural Killer Torna-se claro na prática clínica que, na grande maioria das vezes, não é possível (NK) e de linfócitos T-helper e T-citotóxicos
.
Quanto às pesquisas com marcadores inflamatórios, há evidências de menores níveis de proteína C-reativa e menores níveis de cortisol nos pacientes que possuem maior frequência religiosa.
Periódicos de alto impacto na literatura médica têm vin­culado publicações científicas na área como é o caso do The Journal of the American Medical Association (JAMA), New England Journal of Medicine e Annals of Internal Medicine, dentre outros.
O clínico deve ter conhecimento das evidências que su­portam este campo, de forma a entender suas repercussões na saúde do paciente.

Barreiras para o médico
Algumas barreiras são colocadas pelos médicos para não abordarem o tema35. Pode-se citar a falta de conheci­mento sobre o assunto, falta de treinamento, falta de tempo, desconforto com o tema, medo de impor pon­tos de vista religiosos ao paciente, pensamento de que o conhecimento da religião não é relevante ao tratamento médico e a opinião de que isso não faz parte do papel do médico. Essas barreiras são quebradas à medida que o médico se aprofunda no tema e desvencilha-se de seus próprios medos e preconceitos.

Nem todos os efeitos da religião são positivos. É importan­te que os médicos estejam atentos quando a religião pode desencadear problemas (principalmente no caso da reli­gião punitiva em que há uma sensação de que Deus está pu­nindo ou abandonando o paciente) e causar conflitos quan­to às condutas médicas. No caso de dificuldades para lidar com relações conflitantes a figura da capelania do hospital ou do líder religioso do paciente é essencial, conjuntamente com o Serviço de Psicologia Hospitalar.

CONCLUSÃO
O clínico deve estar atento à dimensão espiritual do pa­ciente, seja ela positiva ou negativa. O conhecimento cien­tífico e prático do assunto pode evitar conflitos na relação médico-paciente, beneficiar os desfechos clínicos e facilitar o atendimento médico.
O clínico deve saber o momento certo e a forma correta de se abordar essa dimensão, sem ofender ou julgar as pre­ferências religiosas de cada paciente, de forma a exercer a Medicina de forma mais humana e integral possível.

NOTA: Que bom que a fechada e endeusada medicina esteja enxergando uma luz no fim do túnel da ignorância espiritual.